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A solitude que nos acompanha

Como líderes, estamos sempre rodeados por stakeholders e portanto não nos faltam oportunidades de relacionamento e colaboração. Por outro lado...

Muitas vezes não sabemos enfrentar um dos paradoxos mais desafiadores que habitam a rarefeita altitude do topo das empresas: a solidão da liderança

Esse sentimento que já inspirou incontáveis reflexões desde os tempos mais remotos, deixou suas marcas também na frase "uneasy lies the head that wears a crown", vocalizada pelo rei Henry IV na clássica obra de Shakespeare, no século XVI, em uma oportuna citação feita por Arthur C. Brooks neste artigo aqui.


Ao longo de minha carreira como executivo, incontáveis foram os momentos em que senti o peso dessa solidão e, mais recentemente, ajudando clientes na Leading.Zone, tenho confirmado que o assunto continua nos trending topics. Por isso ofereço aqui três pontos de vista para ajudar quem se identifica com tal desafio:


1. Essa solidão não é um sinal de fracasso e pode até ser uma prova de que você está cumprindo muito bem o seu papel de liderança

Construir decisões em conjunto com sua equipe e demais stakeholders é uma boa prática de gestão. Mas nem sempre você conseguirá utiliza-la plenamente quando está diante de situações complexas e que exigem alto grau de confidencialidade. Lembre-se que a confidencialidade é uma grande inimiga das confidências que adoramos fazer a... sim, a nossos confidentes. Que também costumam ter seus próprios confidentes. Bem, você entendeu onde isso vai parar. Aqui já temos uma das causas mais populares dessa solidão necessária e que tende a contribuir para seu sucesso como líder: o seu valioso silêncio.


Evitar conflitos de interesse costuma ser outra origem comum deste autoexílio controlado: ao aproximar-se demais de alguém da equipe - em um nível pessoal - executivas e executivos temem limitar sua própria capacidade de oferecer feedbacks mais difíceis e até mesmo demitir quem não está desempenhando bem. Quem nunca sentiu o dilema de aceitar aquele convite para a festa de aniversário do filho de uma pessoa de sua equipe? Aceitar um convite significa ter que aceitar todos os subsequentes, de outras pessoas? Em minha carreira conheci algumas pessoas que sabem separar muito bem uma relação mais pessoal de uma dura conversa profissional, coisa que somente uma minoria de líderes consegue fazer.


Mas essa reflexão precisa de um contraponto: líderes que só interagem com suas equipes em reuniões formais, previamente agendadas e ancoradas na mais absoluta impessoalidade inevitavelmente provocarão um nível de isolamento indesejado que pode ocasionar falta de confiança e desengajamento, iniciando um círculo vicioso de maus resultados para todos os lados. Portanto, reflita bem: aceitar a solidão da liderança é algo necessário. Mas você não precisa agrava-la com sua inacessibilidade.


2. Na descrição de líder você não encontrará a palavra "amiga(o)", simplesmente porque líder não é amiga(o) da equipe. É um cargo de confiança da empresa, que deve ser desempenhado da forma mais inspiradora mas ao mesmo tempo geradora de resultados sustentáveis

Em 2021, Michael Dell publicou "Play nice but win: a CEO journey from founder to leader" e além do excelente conteúdo, o título do livro é muito feliz ao enfatizar o que se espera de cada líder no exercício de suas funções: não serve ser "legal" se você não entregar seus objetivos. Não se pode escolher um ou outro. Mais um paradoxo para a lista de hoje!


E falando nisso, de minhas memórias como executivo recordo que ao chegar em uma empresa, líderes que me procuravam para se apresentar consistentemente queriam mostrar duas coisas: a avaliação que haviam recebido de suas equipes e seus resultados de negócio. Com certa frequência notei que o destaque era dado para a nota máxima recebida da equipe na pesquisa de clima realizada anualmente, seguida por resultados de negócio apenas razoáveis. Abracei (claro, eu não tinha outra opção) a tarefa de desafiar esses líderes a pensar que a combinação "equipe feliz + empresa triste" não chegaria muito longe. A busca da felicidade mútua é o que nos evolui. Mais solidão para a liderança. Necessária, vale reforçar.


3. Líderes devem colocar-se em primeiro lugar ou posicionar a equipe acima de tudo? Esse é outro paradoxo que frequentemente introduz tensão entre as partes

E como todo bom paradoxo, não tem uma resposta simples. Conheci muitos líderes que se priorizavam acima de tudo e outros tantos que criavam uma pirâmide invertida, carregando a equipe nas costas. Nenhum dos dois grupos sustentou bons resultados para todas as partes durante muito tempo.


Construir uma relação de confiança com sua equipe costuma ser fundamental para não precisar escolher deliberadamente entre você ou eles. E se você conseguiu solidificar essa relação, poderá mais tranquilamente tomar decisões dependendo do momento. Apenas para usar um exemplo simples: se você entende e respeita a necessidade de sua equipe sair de férias, certamente receberá a mesma acolhida quando for sua vez. Sem ter que pensar em quem deve ser colocado em primeiro lugar.


Gostei desse vídeo do Simon Sinek, que de forma bem objetiva, aborda o paradoxo de "sermos humanos". Vale conferir.


Enfim, concluo com a minha preferência de usar "solitude" ao invés de "solidão" da liderança

Nessa definição semântica de solitude podemos considerar que o ato de estar sozinha(o) não implica necessariamente estar em sofrimento. Assim, desejo que você seja feliz também nesses momentos de isolamento intencional e produtivo. E se quiser conversar sobre como a solitude da liderança pode ser uma fortaleza e não uma vulnerabilidade para o seu sucesso, estou a sua disposição! Basta clicar aqui e escolher um horário!



Marcelo Medeiros é fundador e CEO da Leading.Zone



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