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SOMOS NATURALMENTE INCLINADOS AO BELO

Atualizado: 7 de jul. de 2022


É uma assertiva clássica e que está presente em praticamente todas as antropologias do homem, em todas as suas formas de manifestação. Eu acho que o espetáculo que a natureza nos proporciona e que nos torna sujeitos na relação com esse belo pela via contemplativa faz prova dessa inclinação natural. Parece que há uma harmonia na beleza, de cores, de proporções, de quantidade... um sentido de ordem.


O belo parece possuir seu próprio ritmo, um ritmo ordenado, ele simboliza, acalma, oferece continência. As pessoas que ainda veem no belo da natureza a manifestação do sagrado, se põe a agradecer a DEUS por entenderem que só uma força criadora perfeita poderia produzir o que estão ali a contemplar: o mar, a montanha, a neve, um animal etc.

Me lembro de uma manhã, enquanto caminhava pela praia, notei uma senhora agradecendo por poder simplesmente estar ali, naquele momento, participando do espetáculo que o nascer do Sol proporcionava a quem tivesse olhos para ver. “Tá aqui na Bíblia”... disse: “No sétimo dia Ele se regozijou de sua criação.”


O belo é tão apetecível que desejamos possui-lo, representa-lo. Por isso inventamos a arte: “A arte existe porque a vida não basta”, dizia Ferreira Gulart. Há um sentido de verdade nessa frase do Poeta, uma verdade intuída por evidencia, não pode ser demonstrada.

Mas, será mesmo que a produção de algo belo se restringe a deuses e poetas? Não seriamos todos nós também verdadeiros artesãos de nossas vidas? Quer um exemplo?


Você, lá no seu trabalho, executa uma determinada função para a qual você foi treinado intelectualmente no mundo do conhecimento técnico, após formado, ingressou no mercado e passou a executar empiricamente o que viu em teoria. Com sabedoria técnica aliada a prudência, pode deliberar ante as contingencias que a realidade foi lhe apresentando sob a forma de obstáculos; o domínio desses obstáculos o fez desenvolver a razão prática a tal ponto que você é visto por seus pares, líderes e pelo mercado, enfim, como alguém que não teme desafios, posto que reúne as virtudes necessárias a “um fazer bem feito”, “um fazer excelente”.


Repara que nesse momento, você é o belo aí da história. Será admirado na dimensão profissional pela harmonia com que administra suas potencias técnicas, fruto de seu esforço e mérito pessoal, associadas a outra virtude que aprendeu a desenvolver no exercício do dia-a-dia: prudência.

Podemos dizer que o desenvolvimento de suas potências resultaram num fazer excelente de duas vias: as virtudes que você desenvolveu tornaram você excelente, por um lado, e, por outro, são as ferramentas que você manipula com arte no feitio das coisas que lhe compete fazer, tornando-as também belas, porque bem feitas.


Ao dizer ao seu filho “Nossa, que excelente nota você tirou na prova.”, ele entenderá esse elogio como: “Sou capaz de fazer isso bem feito; isso que fiz está belo.”

Em síntese, bem feito ou excelente são sinônimos de belo. E belo é apetecível.

Só um cuidado! Uma faca se torna excelente à medida em que se aproxima de seu fim: cortar. Isto é, quanto melhor essa faca cortar, mais excelente será. Todavia, essa mesma faca não perde sua excelência por estar nas mãos de um açougueiro ou de um assaltante.





José Sanchez é Psicólogo, Psicanalista e Empreendedor


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